domingo, 12 de julho de 2009

Poema - A Geometria

Vê lá que atrapalhação,
Disparate e confusão
Este mundo não seria
Se um dia, de repente,
Por loucura toda a gente
Esquecesse a geometria!

O carpinteiro João
Não podia pôr no chão
Uma mesa que servisse.
E a janela, coitada,
Jamais era consertada
Se um vidro se partisse.

Queria a gente uma jaqueta
Não importa azul ou preta
Mas nem curta nem comprida
Sem a Geometria – apostas? –
Vinha com mangas nas costas
Nunca ficava à medida.

O operário na construção
Do telhado ao rés-do-chão
Que fazer já não sabia.
A porta nunca fechava;
A parede desabava;
A escada não existia.

Andaria tudo torto
E até mesmo no desporto
Haveria muito azar.
No futebol, que cachola,
Não se conhecia a bola
Que se havia de chutar.

E para haver harmonia
É preciso Geometria,
Usá-la a todo o momento.
Para a podermos estudar
Iremos utilizar
Olhos, mãos e pensamento.

Geometria é uma ciência
Quer amor e paciência
Passa de avós para netos.
Suas principais funções:
Estudar formas e dimensões
De todos os objectos.

Mas no mundo há formas tantas
Nos cristais e nas plantas
Nas pessoas, nos tostões!
E nenhuma é perfeita
Pois se a gente à lupa espreita
Vê que há sempre imperfeições!

Formas simples e perfeitas
Que em Geometria aproveitadas
Só na ideia são vividas.
Não são coisas reais
Mas figuras ideais
Com que as coisas são parecidas.

António Monteiro

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