Vê lá que atrapalhação,
Disparate e confusão
Este mundo não seria
Se um dia, de repente,
Por loucura toda a gente
Esquecesse a geometria!
O carpinteiro João
Não podia pôr no chão
Uma mesa que servisse.
E a janela, coitada,
Jamais era consertada
Se um vidro se partisse.
Queria a gente uma jaqueta
Não importa azul ou preta
Mas nem curta nem comprida
Sem a Geometria – apostas? –
Vinha com mangas nas costas
Nunca ficava à medida.
O operário na construção
Do telhado ao rés-do-chão
Que fazer já não sabia.
A porta nunca fechava;
A parede desabava;
A escada não existia.
Andaria tudo torto
E até mesmo no desporto
Haveria muito azar.
No futebol, que cachola,
Não se conhecia a bola
Que se havia de chutar.
E para haver harmonia
É preciso Geometria,
Usá-la a todo o momento.
Para a podermos estudar
Iremos utilizar
Olhos, mãos e pensamento.
Geometria é uma ciência
Quer amor e paciência
Passa de avós para netos.
Suas principais funções:
Estudar formas e dimensões
De todos os objectos.
Mas no mundo há formas tantas
Nos cristais e nas plantas
Nas pessoas, nos tostões!
E nenhuma é perfeita
Pois se a gente à lupa espreita
Vê que há sempre imperfeições!
Formas simples e perfeitas
Que em Geometria aproveitadas
Só na ideia são vividas.
Não são coisas reais
Mas figuras ideais
Com que as coisas são parecidas.
António Monteiro
domingo, 12 de julho de 2009
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